A cidade é sua, aproveite
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 A cidade é sua, aproveite


 A cidade é sua, aproveite  

foto de uma maquete
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Novas formas de se relacionar com os espaços públicos têm transformado para melhor o dia a dia dos grandes centros urbanos. No lugar do isolamento e do abandono, surge a vontade de conviver, relaxar e cuidar do bem comum. Resultado: menos estresse, vida mais bem vivida.


De casa para o trabalho. Do trabalho para casa. E as ruas? Muitas vezes, são vistas como meras vias de deslocamento. Mas essa impressão está mudando e, em uma época onde, justamente, parece que tínhamos chegado ao limite do individualismo e do estresse, começaram a surgir possibilidades que buscam tornar as cidades mais amistosas e acolhedoras. “A arquitetura das cidades deve estar a serviço do bem-estar de seus habitantes”, constata Jan Gehl, arquiteto e urbanista dinamarquês, autor de Cidades para Pessoas (Ed. Perspectiva), e “pai” dessa proposta. Foram suas as ideias e a metodologia que, nos anos 1960, transformaram Copenhague, então assolada pelo excesso de carros, poluição e lixo. Hoje, a capital da Dinamarca é exemplo de planejamento urbano ligado à qualidade de vida da população, assim como Berlim, na Alemanha, e Amsterdã, na Holanda. E o que torna esses lugares modelos do que existe de mais moderno em termos de urbanismo humanista? Áreas verdes abundantes, sistema de transporte coletivo eficiente, ciclovias bem planejadas, calçadas largas e bem conservadas, faróis que respeitam o tempo do pedestre, arquitetura que privilegia a escala humana. Ou seja, tudo o que convida as pessoas a passarem mais tempo fora de casa, com conforto e segurança. Segundo Luiz Guilherme de Castro, professor de arquitetura e urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, quando a população se sente parte do coletivo, bons frutos inevitavelmente nascem. “As pessoas passam a dar mais atenção aos espaços públicos, cuidando e compartilhando questões de interesse comum.”


foto de uma praça


A acelerada Avenida Paulista ganhou recentemente um agradável bulevar. O espaço de convivência integra o projeto Torre Matarazzo e Shopping Cidade de São Paulo, assinado pelo escritório aflalo/gasperini, responsável por mais de 15 empreendimentos integrados ao entorno na capital paulista.





foto do condomínio residencial habitarte fotos do Museu do Amanhã

Outra criação do escritório aflalo/gasperini, o condomínio residencial Habitarte, localizado no Brooklyn, também oferece boa dose de verde à cidade. À direita, imagens do Museu do Amanhã, ponto alto da revitalização da Praça Mauá, na zona portuária do Rio de Janeiro. A imensa área dedicada ao lazer e à cultura faz parte do projeto Porto Maravilha, uma das principais obras motivadas pela Olimpíada de 2016.





ESPAÇOS PARA CONVIVER
“Outra tendência é a ampliação das zonas de convivência. Em São Paulo, como o número de áreas verdes é reduzido, a saída encontrada foi destinar vias importantes para o lazer aos finais de semana”, aponta. O professor se refere à Avenida Paulista, que recentemente passou a ser bloqueada para carros e ônibus aos domingos, e ao Elevado Presidente Costa e Silva, igualmente interditado para veículos em horários específicos. Conhecido como Minhocão e com seus 2,8 quilômetros de extensão, o elevado pode ter o mesmo destino do High Line, em Nova York (EUA). O parque suspenso nova-iorquino substituiu uma linha férrea desativada e revolucionou a vizinhança. Hoje, o local atrai não só quem vive nas redondezas como também turistas do mundo todo, desejosos por caminhar, correr, andar de patins, skate, bicicleta e ainda flagrar bons ângulos da Big Apple. Enquanto o destino do Minhocão está sendo debatido por moradores e ativistas, o elevado ganhou um lindo jardim vertical, iniciativa do Movimento 90º, um negócio social cujo objetivo é aumentar a área verde de São Paulo. Outros 19 jardins estão previstos nas fachadas sem janelas que margeiam a pista. Além de embelezar a paisagem urbana, eles ajudam na filtragem da poluição do ar e no conforto térmico tanto no prédio onde estão instalados quanto no entorno. Esses painéis vivos já mudaram a cara de cidades como Londres (Inglaterra), Paris (França), Frankfurt (Alemanha), Madri (Espanha), Tóquio (Japão) e Cidade do México (México), uma das mais poluídas do planeta.


Foto do elevado costa e silva

Diante da necessidade de ampliar suas áreas de lazer, muitas cidades têm transformado o asfalto em pontos de relaxamento e bem-estar. É o caso do Elevado Costa e Silva, o Minhocão, no centro de São Paulo. O colosso de concreto fica fechado aos sábados a partir das 15h., domingos e feriados o dia todo, para que os moradores possam usufruir do espaço para o lazer.





RENOVAR É O CAMINHO
Outra possibilidade cada vez mais explorada pelo urbanismo contemporâneo é a recuperação de áreas degradadas. “A melhoria de espaços deteriorados permite que, em locais abertos, consigamos ter mais atividades de permanência, fruição e passagem”, avalia Ênio Moro Jr., coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Belas Artes, em São Paulo. Curitiba vem pilotando iniciativas nessa área, como a transformação, em 1990, da antiga Pedreira Municipal no espaço para show e eventos Paulo Leminsky, com 103,5 mil m2 e um palco com 408 m2. Graças a essa compreensão, importantes zonas portuárias brasileiras também estão voltando à vida após anos de abandono. A exemplo do que aconteceu em Barcelona (Espanha) e Buenos Aires (Argentina), esses espaços, onde existiam docas e armazéns degradados, vêm sendo transformados em redutos de lazer, de cultura e de gastronomia. É o caso do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro, uma das principais obras motivadas pela Olimpíada de 2016, cujo ponto alto é a revitalização da Praça Mauá, no Centro. O antigo polo comercial desativado já acolhe o Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR) e também recebe o Museu do Amanhã – dedicado à evolução da ciência –, criação do arquiteto espanhol Santiago Calatrava, além de muitos espaços verdes. Em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, é o Cais Mauá, às margens do Rio Guaíba, que ganhará nova roupagem. O projeto arquitetônico, fruto da parceria entre os escritórios do brasileiro Jaime Lerner e do espanhol Fermín Vázquez, prevê a construção de bares, restaurantes, bulevares, bicicletários, polos culturais e edifícios comerciais. O Projeto Novo Recife também caminha nessa direção e vai contemplar, além da renovação urbana do Cais Estelita, na região central da cidade, a construção de três imensos espaços de lazer na região: o Polo Cultural do Forte, o Polo da Grande Praça e o Polo do Cabanga.
 
 
 
 
 
Foto do Rochaverá Corporate Tower

Localizado no movimentado eixo Berrini – Chucri Zaidan, zona sul de São Paulo, o Rochaverá Corporate Tower, concebido pelo escritório aflalo/gasperini, tem seus edifícios dispostos nas diagonais do terreno, de forma a criar uma praça central e outras três praças adjacentes junto às vias públicas, todas elas livres de grades. Um convite para o descanso em plena urbe.





SOMATÓRIA DE BOAS IDEIAS
Mas não pense que só se transformam as cidades com obras monumentais. Ações pontuais como viradas culturais, mutirões para reabilitar áreas verdes, hortas urbanas comunitárias e praças de foodtrucks transformam espaços urbanos em centros de convivência. Preste atenção também nas construções de uso misto que fundem os perfis residencial e comercial em um mesmo empreendimento, cercado por espaços abertos à população. A proposta, que vem sendo defendida pelos urbanistas, é um dos itens do novo Plano Diretor de Curitiba, por exemplo. “A diversidade de usos num mesmo quarteirão ou bairro quebra a monotonia e promove a circulação de pessoas: algumas estão lá para trabalhar, outras para se exercitar, outras para fazer compras ou simplesmente passear. Isso gera socialização e vida 24 horas por dia”, analisa Grazzieli Gomes Rocha, sócia-diretora do escritório de arquitetura aflalo/gasperini. Se seguirmos nessa toada, o futuro das grandes cidades nos reservará outras tantas boas surpresas. “Os espaços públicos deverão se conectar por meio de arborização, ciclovias e esteiras rolantes, sempre priorizando o pedestre, as formas não poluentes de mobilidade e o transporte coletivo”, prevê Moro Jr. O que estamos testemunhando, ele garante, é só o começo.


Foto da praça Mauá



Antigo ponto comercial do Rio de Janeiro, abandonado por décadas, apesar de abrigar uma série de edifícios históricos, a Praça Mauá ressurge em grande estilo, convocando a população a reocupá-la.







NOVOS CAMINHOS À BEIRA-MAR

No cerne das teorias que pautam o urbanismo contemporâneo o pedestre é figura central. As cidades do futuro, dizem os especialistas, serão pensadas para garantir o conforto e a segurança das pessoas que circulam a pé. E as grandes mudanças que a cidade de Salvador está fazendo na sua orla são bons exemplos dessa preocupação. Atualmente, é o Bairro do Rio Vermelho que passa pela reforma que já atingiu a Barra, Boca do Rio e Itapuã, São Tomé de Paripe e Tubarão. A ideia é que toda a orla e seu entorno se convertam num amplo espaço de convivência, novo, moderno e pronto para o futuro!

Foto do Largo da BatataFoto aérea sobre o Museu do AmanhãO Largo da Batata, na zona oeste de São Paulo, ganhou um banco de madeira reaproveitada com 10 metros de comprimento. A peça, esculpida pelo designer gaúcho Hugo França, foi a primeira de muitas que irão tornar os espaços públicos mais aconchegantes. À direita, cariocas e turistas passeiam pelo entorno do
Museu do Amanhã, mais novo polo cultural às margens da Baía de Guanabara.
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