Seu filho de bem com o diabetes tipo 1
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 Seu filho de bem com o diabetes tipo 1


 Seu filho de bem com o diabetes tipo 1  

Receita para as crianças conviverem com o diabetes: avanços da medicina, um pouco de tecnologia e muito carinho

De acordo com o último levantamento da International Diabetes Federation (IDF), estima-se que cerca de 30.900 crianças brasileiras sejam portadoras do diabetes tipo 1. Apesar do número relativamente baixo, se comparado com outros lugares do mundo, a vice-presidente da Associação Brasileira de Diabetes, Solange Travassos, chama a atenção para o fato de que vêm crescendo os casos de crianças abaixo de 6 anos de idade com essa condição.

O médico endocrinologista e assessor da a+, Dr. Pedro Saddi, explica que o diabetes tipo 1 é uma doença autoimune. Ou seja, o próprio sistema imunológico ataca o corpo – no caso, as células beta do pâncreas. “O órgão deixa de funcionar e produzir o hormônio insulina, responsável por levar o açúcar para dentro das células. Dessa maneira, a glicose proveniente de carboidratos e açúcares consumidos fica no sangue em vez de ser usada como energia, intoxicando os órgãos”, comenta o médico.

Em geral, a criança desenvolve o diabetes tipo 1 nos primeiros anos de vida. E apesar de ainda não se saber ao certo quais os motivos, acredita-se que exista uma possível relação com quadros de infecção, como dores de garganta ou viroses.

Do susto a uma vida normal // Apesar do diagnóstico em geral surpreender e preocupar, os especialistas são unânimes em afirmar que é possível conviver muito bem com a condição.

Foi assim com a menina Valentina, 4 anos, e sua família, no ano passado. Depois de perceber que a pequena apresentava alguns comportamentos diferentes do comum, a mãe decidiu levá-la ao médico. “Ela bebia muita água, ia várias vezes ao banheiro, voltou a fazer xixi na cama e emagreceu rapidamente”, conta Renata Regina dos Santos Tavares, de Guarulhos (SP).

Durante a espera pelos resultados dos exames, a pequena piorou e a mãe precisou levá-la ao hospital, onde recebeu o diagnóstico.

Sintomas parecidos aconteceram com o menino Diogo, também aos 4 anos de idade. “Ele começou a fazer xixi a toda hora, estava sempre cansado e bebia muita água durante a madrugada. Em uma noite, notamos formigas na borda do vaso”, conta Viviane Ayres Bianconi Wiggert, de Santos (SP), mãe do garoto, hoje com 9 anos de idade.

Curiosa, ela pesquisou os sintomas do filho e identificou que se relacionavam ao diabetes. No hospital, os médicos confirmaram o diagnóstico.

Readaptação feliz // Segundo o Dr. Pedro Saddi, o tratamento do diabetes consiste em manter a glicemia equilibrada. Para isso, o paciente precisa ter uma alimentação saudável, praticar atividade física e controlar o açúcar do sangue com a insulina. “É o tipo de alimentação que todos deveriam ter aliada a exercícios”, coloca o médico.

Ainda não existe outra maneira de “repor” a insulina a não ser com as injeções do hormônio. Mas o que antigamente era feito por seringas, hoje é com a “caneta” e a bomba de infusão de insulina. Os dois dispositivos possuem agulhas pequenas e bem fininhas que possibilitam a aplicação subcutânea quase que indolor. E isso é ótimo para as crianças que precisam de cerca de 6 a 7 doses por dia (após cada refeição), além das picadinhas nos dedos para obter uma gota de sangue e verificar se a glicemia está controlada.

“A bomba de infusão permite a aplicação de doses mais fracionadas e deixa o pequeno independente. Já as crianças maiores conseguem, inclusive, usar o aparelho sozinhas. Basta calcular o carboidrato ingerido e regulá-lo”, explica o médico. Fora isso, o equipamento exige a troca da agulha a cada três dias. “Ele também tem um sensor que alerta momentos antes de a criança ter uma hipoglicemia, e desliga a bomba automaticamente”, fala a mãe de Diogo, que usa o aparelho.

Diabetes sem neuras // Para ajudar as crianças a conviverem bem com o diabetes, várias iniciativas divertidas vêm sendo criadas. O objetivo é garantir que elas encarem a situação de forma mais leve. Confira!

• Bonecos “com diabetes”: A marca de insulina Lilly, em parceria com a Disney, criou uma personagem portadora de diabetes tipo 1, a macaquinha Coco. Inicialmente, foram lançados livrinhos e, recentemente, ela virou pelúcia e propõe que a criança brinque de medir a glicemia e administrar a insulina. E são os próprios médicos que orientam como deve ser feito o cadastro para a criança receber o brinquedo em casa gratuitamente pelo correio.

A Associação de Diabetes Juvenil (ADJ) também oferece os bonecos Didi e Bete, que podem ser recebidos mediante uma doação para a entidade. Os dois vêm com uma mochilinha com bomba de insulina e teste de glicemia miniaturas para a criança brincar.

• Acampamento de férias. Todos os anos, a ADJ também promove um acampamento para crianças com diabetes, em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O programa é pago e reúne 80 crianças durante seis dias, que ficam sob os cuidados de monitores treinados e de uma equipe médica especializada. São promovidas brincadeiras e atividades que ensinam a contagem de insulina e como aplicá-la, deixando a criança mais independente. O lugar fica em Sapucaí Mirim (MG) e é indicado para crianças com idade entre 9 e 14 anos. Assim como este, outros acampamentos e colônias de férias para os pequenos com esse problema são realizados em São Paulo (SP), como o Diabetes Weekend, e em Passo Fundo (RS), como o Acampamento da Criança com Diabetes.

• Gibi temático. O criador da Turma da Mônica, Maurício de Sousa, em parceria com a empresa de cuidados para a saúde Abbott, lançou uma edição do Turma da Mônica com um personagem com diabetes. Ele é oferecido gratuitamente pelos endocrinologistas pediátricos a seus pacientes e explica de um jeito simples e lúdico o que é o diabetes. Quem entrar em contato com o serviço de atendimento ao consumidor da marca também consegue o exemplar.

• Grupos e encontros para crianças. O Dia a Dia Kids é outra iniciativa da ADJ, que acontece no primeiro sábado de cada mês, em São Paulo. O encontro propõe um dia inteiro de programação com pais e crianças juntamente com uma equipe multidisciplinar. Enquanto os pequenos participam de atividades educativas sobre alimentação e a importância da insulina, os pais recebem apoio psicológico. E têm a oportunidade de trocar experiências com outras famílias na mesma situação.

• Aplicativo Diapets. Esse app gratuito é uma fofura! E traz um dragãozinho filhote com diabetes tipo 1 para a criança alimentar e cuidar usando seus próprios horários de refeições e os dados reais da sua glicemia. Dessa maneira, a criança aprende sobre alimentação e ainda se cuida brincando.

A criança com diabetes deve ter uma alimentação saudável que, aliás, todos deveriam seguir

Exames sob medida

Conheça os exames que ajudam o médico a identificar o diabetes tipo 1 e acompanhar a saúde do pequeno paciente. Todos eles você encontra aqui na a+ Saúde:

Glicemia de jejum: Mede a taxa de glicose no sangue com o paciente em jejum.

Hemoglobina glicada: Indicado para pessoas com diabetes, avalia os níveis médios de açúcar no sangue nos últimos três meses.

Peptídeo C: Verifica se existe alguma produção de insulina pelo pâncreas.

Autoanticorpos (anti-insulina, anti-IA2, anti-GAD, anti-Zn8): Ajudam a identificar o diabetes tipo 1.​​​